A Constipação Intestinal faz parte dos Distúrbios Gastrointestinais Funcionais (DGIFs), e pode estar associada à Síndrome do Intestino Irritável ou ser classificada como Constipação Funcional pelos critérios Rome. Os critérios Rome foram desenvolvidos pela Fundação Rome, organização internacional que atua de forma independente e sem fins lucrativos dedicada a dar suporte às DGIFs. Saúde geral, saúde mental e funcionamento social se apresentam prejudicados em pessoas com constipação em comparação com quem não tem esta condição.

A Constipação Funcional, pelo critério Rome IV, acontece quando no mínimo dois dos seguintes sintomas estão presentes por no mínimo três meses, nos últimos seis meses antes do diagnóstico:

  1. Esforço evacuatório em >25% (1/4) das evacuações;
  2. Fezes irregulares e duras (forma 1 e 2 na Escala de Bristol) em >25% das evacuações;
  3. Sensação de evacuação incompleta em >25% das evacuações;
  4. Menos de três evacuações espontâneas por semana;
  5. Sensação de obstrução de saída em >25% das evacuações;
  6. Manobras manuais facilitadoras de evacuação em >25% das evacuações, por exemplo, manobras digitais, apoiar o assoalho pélvico.

Fezes amolecidas estão raramente presentes, sem o uso de laxativos, e o paciente não deve atender aos critérios para Síndrome do Intestino Irritável. A Escala de Bristol é um método padronizado e de baixo custo, que tem o objetivo de classificar as fezes em um número finito de categorias. É utilizada em todo o mundo, inclusive pelo FDA (órgão americano regulador – Food and Drugs Administration), para determinar o tempo de trânsito intestinal. É dividido em 7 tipos, como pode ser observado na figura 1.

Escala de Bristol




Fonte: Figura adapatada de Blake, Raker e Whelan (2016).

O microbioma intestinal tem sido cada vez mais implicado em casos de constipação intestinal, e há grandes diferenças entre as bactérias intestinais de indivíduos com e sem constipação.

Esta diferença foi relacionada à capacidade de metabolização de nutrientes específicos que cada grupo de bactérias é capaz de realizar. Por exemplo, alguns gêneros associados ao enterótipo Ruminococcaceae-Bacteroides, são capazes de metabolizar melhor as gorduras e proteínas, e com isso tendem a se relacionar com um trânsito intestinal mais lento e estão associados à eliminação de fezes mais endurecidas.

Esta associacão tem-se confirmado na literatura científica, relacionando a constipação principalmente aos gêneros Serratia, Hungatella, Agathobacter, Dorea e Aeromonas. Algumas espécies destes gêneros têm a capacidade de formar biofilmes bacterianos. Estes biofilmes são uma rede bacteriana muito resistente e que se adere firmemente à parede intestinal, causando quadros inflamatórios importantes, como os das doenças inflamatórias intestinais.

Quanto à diversidade da microbiota intestinal, normalmente se pensa que quanto mais diversa melhor. Mas já se identificou que a diversidade de bactérias pode aumentar em casos de constipação intestinal, quando comparado às pessoas que não tem constipação, o que não representa um estado de saúde.

Análise do Microbioma Intestinal

Quando analisamos o microbioma intestinal através do teste Inner Care TRIGGER da Biogenetika, utilizamos um algoritmo desenvolvido por cientistas para casos de constipação intestinal, o que nos possibilita realizar uma análise assertiva.

Além disso, na Biogenetika contamos com um banco de dados que auxilia no tratamento e modulação intestinal de forma individualizada, indicando quais os alimentos, probióticos e suplementos são mais indicados para cada perfil de microbioma.

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REFERÊNCIAS

BLAKE, M. R.; RAKER, J. M.; WHELAN, K.. Validity and reliability of the Bristol Stool Form Scale in healthy adults and patients with diarrhoea-predominant irritable bowel syndrome. Alimentary Pharmacology And Therapeutics, v. 7, n. 44, p. 693-703, 5 ago. 2016.

BHARUCHA, Adil E.; PEMBERTON, John H.; LOCKE, G. Richard. American Gastroenterological Association Technical Review on Constipation. Gastroenterology, [S.L.], v. 144, n. 1, p. 218-238, jan. 2013. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1053/j.gastro.2012.10.028.

VANDEPUTTE, Doris; FALONY, Gwen; VIEIRA-SILVA, Sara; TITO, Raul y; JOOSSENS, Marie; RAES, Jeroen. Stool consistency is strongly associated with gut microbiota richness and composition, enterotypes and bacterial growth rates. Gut, [S.L.], v. 65, n. 1, p. 57-62, 11 jun. 2015. BMJ. http://dx.doi.org/10.1136/gutjnl-2015-309618.

ROAGER, Henrik M.; HANSEN, Lea B. S.; BAHL, Martin I.; FRANDSEN, Henrik L.; CARVALHO, Vera; GØBEL, Rikke J.; DALGAARD, Marlene D.; PLICHTA, Damian R.; SPARHOLT, Morten H.; VESTERGAARD, Henrik. Colonic transit time is related to bacterial metabolism and mucosal turnover in the gut. Nature Microbiology, [S.L.], v. 1, n. 9, p. 1-9, 27 jun. 2016. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/nmicrobiol.2016.93.

SCHMIDT, Fernanda Mateus Queiroz; SANTOS, Vera Lúcia Conceição de Gouveia; DOMANSKY, Rita de Cássia; BARROS, Elaine; BANDEIRA, Mariana Alves; TENÓRIO, Mariana Alves de Melo; JORGE, José Marcio Neves. Prevalence of self-reported constipation in adults from the general population. Revista da Escola de Enfermagem da Usp, [S.L.], v. 49, n. 3, p. 440-449, jun. 2015. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0080-623420150000300012.