
Polimorfismos Genéticos e a Qualidade da Pele: O Que a Ciência Revela?
Você sabia que a qualidade da pele é influenciada por uma combinação complexa de fatores, que incluem dieta, exposição ambiental, mas também a genética?
Nos últimos anos, pesquisas sobre polimorfismos genéticos têm contribuído para a compreensão de como variações no DNA influenciam a estrutura, firmeza e regeneração da pele. Entre os genes mais estudados nesse contexto, destacam-se MACROH2A2, SHC4, STXBP5L, AHR e COL1A1.
Vamos explorar o papel desses genes e como suas variantes podem impactar a saúde cutânea?
O gene MACROH2A2 (H2A histone family, member Y2), também conhecido como H2AFY2, codifica uma variante da histona H2A chamada macroH2A2, que desempenha um papel importante na regulação da cromatina e na modulação da expressão gênica através de mecanismos epigenéticos. Estudos recentes sugerem que polimorfismos nesse gene (ou seja, variantes genéticas, podem influenciar a firmeza da pele e a propensão à flacidez, particularmente nas pálpebras, devido às alterações na expressão de genes envolvidos na estrutura cutânea.

Já o gene SHC4 (Src Homology 2 Domain Containing Transforming Protein 4) codifica uma proteína adaptadora, que desempenha um papel crucial na sinalização celular, especialmente em vias relacionadas ao crescimento, diferenciação e sobrevivência celular. Embora sua relação direta com a qualidade da pele ainda não esteja totalmente elucidada, acredita-se que variações genéticas nesse gene possam influenciar a resposta da pele a fatores ambientais, como radiação UV e poluentes. Estudos sugerem que mutações nesse gene podem afetar a resposta inflamatória e a capacidade de reparo da pele, contribuindo para o envelhecimento precoce.
A hidratação é essencial para manter a pele saudável e jovial. O gene STXBP5L (Syntaxin Binding Protein 5 Like) foi identificado em estudos de associação genômica ampla (GWAS) como um dos principais envolvidos no fotoenvelhecimento e na formação de rugas. Ele codifica uma proteína envolvida na regulação da exocitose e do tráfego vesicular, especialmente na liberação de neurotransmissores e secreção de grânulos em células especializadas. Certas variantes desse gene foram associadas à suscetibilidade à perda de firmeza e formação precoce de rugas.
Outro gene estudado nessa relação com a qualidade da pele é o gene AHR (Aryl Hydrocarbon Receptor) que codifica um receptor de hidrocarbonetos arila, um fator de transcrição ativado por ligante que desempenha um papel central na resposta a xenobióticos (poluentes e toxinas), na regulação da expressão gênica, e em diversos processos fisiológicos e patológicos. Polimorfismos nesse gene podem aumentar a sensibilidade da pele à exposição a poluentes, favorecendo processos inflamatórios e acelerando o envelhecimento cutâneo. Estudos sugerem que variantes do gene AHR estão associadas a alterações na expressão de genes de defesa antioxidante, impactando a proteção contra danos ambientais e contribuindo para a degradação do colágeno e o aumento da flacidez da pele.
O gene COL1A1 (Collagen Type I Alpha 1 Chain) codifica a cadeia alfa-1 do colágeno tipo I, uma proteína estrutural essencial para a formação da matriz extracelular em tecidos conjuntivos, ou seja, a principal proteína estrutural da pele. Polimorfismos nesse gene têm sido associados às alterações na produção de colágeno, impactando diretamente a firmeza e resistência da pele ao envelhecimento. Um estudo identificou que variantes em COL1A1 podem afetar a quantidade e qualidade do colágeno produzido, levando a uma maior susceptibilidade à flacidez e à formação de rugas. Isso reforça a importância desse gene na manutenção da juventude da pele e no desenvolvimento de estratégias para retardar o envelhecimento cutâneo.
Dado o impacto genético na estrutura e função da pele, a compreensão da influência desses polimorfismos genéticos permite a adoção de estratégias personalizadas para manter a saúde da pele. Com base nessas informações, é possível escolher ativos cosméticos mais adequados, ajustar a dieta e considerar suplementos que favoreçam a manutenção da pele em sua melhor condição. Com os avanços na genética aplicada à dermatologia, a personalização dos cuidados com a pele se torna uma realidade cada vez mais acessível. Compreender seu perfil genético pode ser um diferencial na personalização dos cuidados com a pele, permitindo escolhas mais assertivas para manter sua saúde e juventude com base em evidências científicas!
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