Por Jeanine Teófilo

Dislipidemia, risco cardiovascular e o papel dos nutracêuticos

A dislipidemia, caracterizada por níveis lipídicos anormais, surge de interações complexas entre genética, fatores de estilo de vida e estresse metabólico. A dislipidemia é um importante fator de risco para doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA). Estudos epidemiológicos, genéticos e de intervenção clínica identificaram o colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-c) como um fator causal na DCVA.

As estatinas são eficazes na redução do colesterol plasmático e do risco de doença cardiovascular (DCV). Embora tenham eficácia comprovada, estão associados a uma incidência relativamente alta de efeitos colaterais clínicos, como miopatia e mialgia. Há um interesse crescente no uso de nutracêuticos para o tratamento da hipercolesterolemia. O nutracêutico Armolipid Plus (AP) foi recentemente relatado como associado a melhorias significativas nos lipídios plasmáticos, na resistência à insulina e em outros componentes da síndrome metabólica; foi associado a uma redução geral no risco de DCV em uma população com hiperlipidemia e risco médio a alto de DCV.

Berberina: mecanismos de ação no metabolismo lipídico

Dentre os componentes da fórmula, está a berberina, um alcalóide isoquinolínico isolado de ervas medicinais tradicionais chinesas, como Coptis chinensis e Phellodendron amurense, é conhecida por suas propriedades de purificação do calor, secagem da umidade e desintoxicação. É usada na medicina chinesa há milhares de anos para tratamento de doenças inflamatórias. Estudos demonstraram que a berberina possui benefícios terapêuticos significativos no tratamento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hiperlipidemia e hipertensão, além de possuir capacidade antioxidante. Após ingestão oral é distribuído por todo corpo com metabolismo rápido e eliminação lenta, mas a biodisponibilidade da berberina é baixa.

A berberina atua na regulação positiva pós-transcricional do receptor de LDL (LDLR) por meio da estabilização do mRNA. Sua ação é independente das proteínas de ligação reguladoras de esteróis (SREBP), mas depende da ativação da proteína quinase regulada por sinal extracelular (ERK). A estabilização do mRNA mediada pela berberina envolve a região não traduzida (UTR) 3’ do LDLR. Além disso, a berberina regula negativamente a pró-proteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9). Foi relatado recentemente que a berberina também exerce efeitos inibitórios sobre a expressão da proteína e do mRNA da PCSK9 em células HepG2. Entretanto, polimorfismos genéticos podem alterar a resposta individual aos efeitos da berberina.

Genética, LDLR e resposta individual à berberina

O polimorfismo na região UTR 3’ do gene LDLR (receptor de LDL), rs14158 52G>A foi significativamente correlacionado com os níveis basais de lipídios séricos, sendo que os indivíduos com o alelo A apresentam tendência a níveis mais elevados de LDL-c, níveis mais baixos de HDL-c e aumento de chance de risco para hipercolesterolemia familiar em diferentes populações.

Estudos demonstraram que as digergência de efeitos da intervenção dietética sobre os lipídios plasmáticos entre os indivíduos, classificado-os como hiporresponsivos ou hiperrresponsivos, podem ser devido a fatores genéticos. Dentre os indivíduos com hipercolesterolemia leve, os que apresentavam o alelo A para o rs14158 responderam melhor ao uso de suplementação com berberina nos efeitos sob lipídios plasmáticos. Estes efeitos observados são provavelmente ligados à regulação pós trancricional, na estabilidade do mRNA do LDLR. Esta variante foi incluída em um modelo de regressão e explicou 6,4% da variabilidade da resposta à berberina. Levanta-se a hipótese de que a berberina tem ações duplas no metabolismo do LDLR, prolongando a meia-vida do mRNA do LDLR, bem como aumentando diretamente a abundância da proteína LDLR por meio do bloqueio da degradação mediada por PCSK9. Assim, a berberina e compostos semelhantes à berberina podem ser candidatos terapêuticos atraentes para aumentar a eficácia das estatinas.

A dislipidemia, fator de risco significativo para doenças cardiovasculares, pode ser influenciada por fatores genéticos, como o polimorfismo rs14158 no gene LDLR, que impacta a resposta à berberina, um nutracêutico promissor na redução do colesterol LDL e no controle de hiperlipidemia. O teste genético BioNutrientes da Biogenetika® oferece uma análise personalizada do seu perfil genético, identificando variantes como o rs14158 para otimizar o uso de nutracêuticos como a berberina, promovendo uma abordagem mais eficaz e individualizada para a saúde cardiovascular.

Conceito de polimorfismo: são as variações na sequência de DNA que podem alterar as proteínas produzidas pelo organismo podendo gerando impactos para as vias envolvidas, metabolismo e saúde de quem as porta. Para ser considerado um polimorfismo esta variação precisa ser de no mínimo 1% em uma população.

Conceito de polimorfismo

São as variações na sequência de DNA que podem alterar as proteínas produzidas pelo organismo podendo gerando impactos para as vias envolvidas, metabolismo e saúde de quem as porta. Para ser considerado um polimorfismo esta variação precisa ser de no mínimo 1% em uma população.

Referências

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FAN, Ke-Qin; ZHANG, Liangming; SONG, Fangyu; ZHANG, Yue-Hui; CHEN, Tong; CHENG, Xiang; SU, Ning; ZOU, Yan; YU, Ting; TAN, Futing. Pharmacological properties and therapeutic potential of berberine: a comprehensive review. Frontiers In Pharmacology, [S.L.], v. 16, p. 1-26, 14 ago. 2025. Frontiers Media SA. http://dx.doi.org/10.3389/fphar.2025.1604071
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