Por Jeanine Teófilo

Cobre: equilíbrio essencial entre metabolismo, antioxidantes e saúde

O cobre é um mineral essencial que, no corpo humano, participa como constituinte de enzimas com atividade de oxidação e redução, como a Cu-Zn superóxido dismutase (SOD), lisiloxidase, citocromo-c oxidase, dopamina beta-hidroxilase, monoamina oxidases (MAOs), ceruloplasmina, diamino-oxidase (DAO), dentre outras evidenciando a importância no metabolismo do ferro, atividade antioxidante e metabolismo de neurotransmissores. O cobre está envolvido no metabolismo do esqueleto, no sistema imunológico, metabolismo do ferro e na redução de risco de doenças cardiovasculares.

Tanto a deficiência, quanto o excesso de cobre estão relacionados a duas doenças raras, a Síndrome de Menkes, onde há defeito de absorção intestinal de cobre, e a doença de Wilson, onde há um defeito grave de excreção de cobre na bile, levando ao acúmulo nos tecidos. Há, o que os pesquisadores chamam de “face dúbia”do cobre, pois ele pode atuar como pró ou antioxidante nos sistemas biológicos, portanto o equilíbrio é o status ideal. Foi observado que indivíduos com Doença de Alzheimer apresentam menor concentração de cobre e menor atividade da SOD quando comparados com indivíduos saudáveis.

Polimorfismos associados aos níveis sanguíneos de cobre

Estudos de associação genômica ampla (GWAS) identificaram o rs1175550 como um dos polimorfismos (SNP) mais significativamente associados à concentração de cobre em eritrócitos (glóbulos vermelhos).Indivíduos portadores de determinadas variantes desse SNP apresentam diferenças mensuráveis nos níveis de cobre sanguíneo, sugerindo que o rs1175550 influencia a absorção, distribuição ou excreção do cobre. O rs1175550 é um marcador genético importante para variação dos níveis de cobre no sangue, mas o mecanismo biológico exato ainda não foi elucidado. Pesquisas futuras podem esclarecer como essa variação genética afeta o metabolismo do cobre e possíveis implicações clínicas.

Outro marcador identificado por estudos de GWAS foi o rs2769264 que emergiu como um dos SNPs mais significativamente associados à concentração de cobre em eritrócitos, com valores de p extremamente baixos (P = 2,63 × 10⁻²⁰), indicando uma forte relação estatística. Indivíduos portadores de determinadas variantes desse polimorfismo apresentam diferenças mensuráveis nos níveis de cobre sanguíneo. Embora o rs2769264 esteja localizado próximo a genes como SELENBP1, PSMB4 e POGZ, nenhum deles tem função diretamente conhecida no metabolismo do cobre. Além disso, níveis mais altos de cobre, geneticamente determinados (incluindo por rs2769264), podem estar associados a menor risco de síndrome do intestino irritável (SII).

Fontes alimentares, segurança e personalização genética

O cobre está amplamente distribuído nos alimentos e, as suas melhores fontes são fígado, mexilhões, ostras, cereais integrais, nozes e chocolate, ainda é possível obter cobre por encanamentos ou panelas feitas com o metal. A ingestão recomendada para adultos é em torno de 1mg por dia, já níveis acima de 5mg por dia podem ser tóxicos, gerando sintomas característicos.

A realização do teste genético BioNutrientes da Biogenetika® que traz a análise das variantes rs1175550 e rs2769264, representa um recurso valioso no acompanhamento dos níveis de cobre. Esses marcadores permitem identificar predisposições individuais que influenciam a absorção, distribuição e excreção do mineral, fornecendo uma visão mais precisa sobre o risco de deficiência ou excesso. Ao integrar informações genéticas com avaliação clínica e nutricional, torna-se possível adotar uma abordagem individualizada, orientando intervenções preventivas e terapêuticas. Dessa forma, o uso de testes genéticos contribui para um manejo mais seguro e eficaz do metabolismo do cobre, além de apoiar a compreensão de possíveis implicações para a saúde, como doenças neurodegenerativas, distúrbios gastrointestinais e condições raras relacionadas ao desequilíbrio desse micronutriente.

Conceito de polimorfismo: são as variações na sequência de DNA que podem alterar as proteínas produzidas pelo organismo podendo gerando impactos para as vias envolvidas, metabolismo e saúde de quem as porta. Para ser considerado um polimorfismo esta variação precisa ser de no mínimo 1% em uma população.

Conceito de polimorfismo:

são as variações na sequência de DNA que podem alterar as proteínas produzidas pelo organismo podendo gerando impactos para as vias envolvidas, metabolismo e saúde de quem as porta. Para ser considerado um polimorfismo esta variação precisa ser de no mínimo 1% em uma população.

Referências

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