Escore de Risco Poligênico para Esquizofrenia
A esquizofrenia (EQZ) é um transtorno mental frequentemente debilitante e altamente hereditária, que afeta cerca de 1% da população. Indivíduos com esquizofrenia apresentam déficits cognitivos acentuados, em média, em comparação com controles saudáveis.
Estudos de associação genômica ampla (GWAS) para a esquizofrenia já identificaram múltiplas variantes de risco, cujos loci individuais possuem pequenos efeitos sobre o risco, mas que quando agrupados em um único escore de risco poligênico (PRS) permitem explorar o risco genético ou até estágios de desenvolvimento.
Em um estudo de revisão de PRSs para EQZ puderam associar valores mais altos de no PRS a maior risco de psicopatologias diferentes. Foi identificado maior risco para EQZ em indivíduos com depressão, além de maiores tentativas de suicídio em indivíduos com depressão. Ainda foi vista associação entre maior risco genético para EQZ e transtorno de ansiedade.
Em adultos foi encontrada associação entre psicose incongruente com o humor em amostras de EQZ e transtorno bipolar, sugerindo que o PRS é sensível para identificar sintomas positivos. Entretanto, em adolescentes, os valores no PRS parecem exercer influência na identificação de risco para os sintomas positivos, mas sim os sintomas negativos e ansiedade. Isso sugere que o risco genético para esquizofrenia pode se manifestar mais fortemente por outras psicopatologias durante a adolescência, com experiências psicóticas positivas se manifestando apenas em idade mais avançada. Para os sintomas negativos, ainda é difícil definir e mensurar estes sintomas na população em geral para que seja possível realizar comparação com indivíduos com EQZ. O curso dos sintomas é um componente central dos critérios diagnósticos para esquizofrenia, a associação entre a SZ PRS e as trajetórias dos sintomas em transtornos psicóticos ainda é desconhecida.
Já a associação do PRS para EQZ com déficits neurocognitivos tem sido mais forte, relacionado a uma pior cognição, como QI, em estudos populacionais desde a infância até a idade avançada, mas em alguns estudos populacionais específicos, como na Islândia, isso não foi verificado. Entretanto, não está claro se o PRS prevê cognição ou declínio cognitivo em pessoas com transtornos psicóticos.
O SZ PRS é um preditor robusto para o diagnóstico, mas também para a gravidade da doença e dos déficits cognitivos ao longo do tempo. Pode predizer o curso de sintomas negativos persistentes. No estudo realizado por Jonas e colaboradores (2019), que acompanham uma coorte desde o diagnóstico e por 20 anos, inicialmente diagnosticados com transtorno afetivo psicótico, um PRS mais alto previu qual diagnóstico mudaria para psicose não afetiva ao longo de 20 anos de acompanhamento, com precisão de 68% no decil mais alto. Nos meses e anos seguintes à primeira admissão, os sintomas afetivos e positivos podem diminuir, enquanto os sintomas negativos e cognitivos persistem, resultando em uma mudança de diagnóstico para psicose não afetiva. Ainda o PRS esteve associado à avolição.

O Poligenika da Biogenetika traz o PRS para Esquizofrenia que pode trazer auxílio diagnóstico, assim como indicador prognóstico para pacientes com pontuações especialmente altas, na predisposição a um curso consistentemente pior da gravidade da doença, avaliação e déficits cognitivos. O PSR é um indicador dos principais correlatos clínicos da esquizofrenia, e os indivíduos podem se beneficiar de monitoramento e tratamento precoces e consistentes.
*Conceito de polimorfismo: são as variações na sequência de DNA que podem alterar as proteínas produzidas pelo organismo podendo gerando impactos para as vias envolvidas, metabolismo e saúde de quem as porta. Para ser considerado um polimorfismo esta variação precisa ser de no mínimo 1% em uma população.
REFERÊNCIAS
JONAS, Katherine G.; LENCZ, Todd; LI, Kaiqiao; MALHOTRA, Anil K.; PERLMAN, Greg; FOCHTMANN, Laura J.; BROMET, Evelyn J.; KOTOV, Roman. Schizophrenia polygenic risk score and 20-year course of illness in psychotic disorders. Translational Psychiatry, [S.L.], v. 9, n. 1, p. 1-8, 14 nov. 2019. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/s41398-019-0612-5.
MISTRY, Sumit; HARRISON, Judith R.; SMITH, Daniel J.; ESCOTT-PRICE, Valentina; ZAMMIT, Stanley. The use of polygenic risk scores to identify phenotypes associated with genetic risk of schizophrenia: systematic review. Schizophrenia Research, [S.L.], v. 197, p. 2-8, jul. 2018. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.schres.2017.10.037.
RICHARDS, Alexander L; PARDIÑAS, Antonio F; FRIZZATI, Aura; TANSEY, Katherine e; LYNHAM, Amy J; HOLMANS, Peter; LEGGE, Sophie e; SAVAGE, Jeanne e; AGARTZ, Ingrid; A ANDREASSEN, Ole. The Relationship Between Polygenic Risk Scores and Cognition in Schizophrenia. Schizophrenia Bulletin, [S.L.], p. 336-344, 17 jun. 2019. Oxford University Press (OUP). http://dx.doi.org/10.1093/schbul/sbz061.