A Dieta Mediterrânea na prevenção do Câncer de mama
A busca por estratégias eficazes de prevenção ao desenvolvimento de câncer de mama (CAMA) tem papel fundamental para redução de risco, com atenção especial aos fatores de estilo de vida, especialmente a dieta e a atividade física. Dentre os padrões alimentares, a dieta mediterrânea (DM) tem despertado considerável interesse em pesquisas devido à sua associação com inúmeros benefícios à saúde, incluindo potenciais efeitos protetores contra doenças cardiovasculares, diabetes, doenças neurodegenerativas e câncer, especialmente os digestivos e os dependentes de hormônios. A atividade física desempenha papel crucial tanto no tratamento quanto na prevenção do CAMA, proporcionando benefícios que melhoram os resultados dos pacientes e reduzem o risco de doenças.
A DM é caracterizada por uma alta ingestão de vegetais, frutas, nozes, ácidos graxos monoinsaturados, leguminosas e cereais, consumo moderado de peixes, frutos do mar, laticínios e vinho tinto, baixa ingestão de carne vermelha e processada e gordura saturada. É rica em compostos polifenólicos como carotenoides e flavonoides, juntamente com ácidos graxos insaturados e numerosos agentes bioativos que funcionam como antioxidantes, anti-inflamatórios, anti proliferativos, apoptóticos e anti-angiogênicos, todos os quais contribuem para suas potenciais propriedades anticancerígenas, além de possuir baixo índice glicêmico. Além disso, o fitoestrógeno em componentes vegetais pode reduzir o risco de câncer de mama modulando a atividade do estrogênio e diminuindo os efeitos nocivos do excesso de estrogênio no desenvolvimento do câncer de mama.
A maior adesão à DM tem sido associada à redução do risco de doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e diversas formas de câncer, como câncer gastrointestinal superior, de bexiga, colorretal, mas nenhuma associação foi observada em casos de câncer de ovário e próstata. Em um estudo de meta-análise a associação entre a adesão à DM e o risco de câncer de mama em mulheres foi revisado. Os resultados demonstraram uma redução significativa de 13% no risco de câncer de mama, com o efeito protetor sendo mais pronunciado em mulheres na pós-menopausa, enquanto nenhuma associação significativa foi observada em mulheres na pré-menopausa. Geograficamente, o efeito protetor mais forte foi identificado em populações asiáticas, com associações moderadas em populações europeias e americanas.
Um dos mecanismos relacionados à proteção gerada pela DM é que após a menopausa, a produção de estrogênio muda dos ovários para o tecido adiposo. Está comprovado que a DM desempenha um papel favorável no controle do peso e na melhora da sensibilidade à insulina, principalmente pela redução do acúmulo de gordura visceral, o que pode levar à diminuição dos níveis de estrogênio após a menopausa e diminuir o risco de câncer de mama.
Considerando que os mecanismos de desenvolvimento do câncer de mama antes da menopausa são mais complexos e dependem de diversos fatores, incluindo histórico familiar, mutações genéticas, estilo de vida, fatores reprodutivos e hormonais, o estado atual do conhecimento não chegou a uma conclusão sobre a associação entre padrões alimentares e risco de câncer de mama na idade perimenopausal.
O consumo de álcool, advindo do vinho tinto, permanece um assunto em debate, quando se fala de dieta mediterrânea. O benefício está relacionado ao consumo de antioxidantes, principalmente do resveratrol, que pode reduzir a produção de estrogênio e diminuir os níveis de aromatase em células cancerígenas da mama. No entanto, as potenciais vantagens não devem obscurecer os efeitos nocivos do etanol na produção de ROS e na geração de acetaldeído, que danifica o DNA, no desenvolvimento do câncer. Além disso, o álcool inibe a atividade das enzimas 2-hidroxilase e sulfotransferase, que estão envolvidas no metabolismo do estrogênio e podem levar a níveis mais elevados de estrogênio.

Figura 1. Mecanismos potenciais de proteção da Dieta Mediterrânea no câncer de mama.
Desta forma, a DM pode servir como uma estratégia alimentar promissora para a prevenção do câncer de mama, particularmente para mulheres na pós-menopausa. No entanto, mais pesquisas são necessárias para explorar seu impacto em diversas populações, diferentes desenhos de estudo e várias regiões geográficas.
No teste Poligenika da Biogenetika há o rastreamento de risco genético para CAMA que oferece um caminho para a medicina de precisão, possibilitando a adaptação de condutas de estilo de vida para trabalhar a prevenção, além de direcionar o rastreio diagnóstico precoce e tratamentos de acordo com as características genéticas individuais, melhorando assim os possíveis resultados e trazendo mais qualidade de vida. O PRS, combinado com o HF e análises genéticas de variantes patogênicas, aumenta a taxa de indivíduos que requerem vigilância reforçada para prevenir ou detectar a doença precocemente.
REFERÊNCIAS:
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